Fonds CEMVDHC - Comissão Estadual da Memória e Verdade Dom Helder Câmara

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Comissão Estadual da Memória e Verdade Dom Helder Câmara

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(2012-06-01)

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"Para além, muito além dos egoísmos individuais, dos egoísmos de classe, dos nacionais, é preciso abraçar, sorrir, trabalhar."
(† Helder Câmara)

As palavras de Dom Helder Câmara abarcam as competências delegadas à Comissão Estadual da Memória e da Verdade Dom Helder Câmara (CEMVDHC)[1], trabalho que visa recompor a História de um tempo, no qual a exceção e as violações dos direitos humanos foram as palavras de ordem no Brasil.
Pensando em novos tempos de reconhecimento e justiça, na manhã do dia 1º de junho de 2012, no Palácio do Campo das Princesas, Recife, Estado de Pernambuco, Excelentíssimo Governador Senhor Eduardo Henrique Accioly Campos empossou os nove membros da 1ª Comissão Estadual da Memória e da Verdade instituída por lei no país. Discursou na ocasião ressaltando a luta pela liberdade, pela paz e pelo direito à dignidade da pessoa humana. Expôs os valores históricos que tem uma nação quando a mesma se tece com os fios da verdade e da democracia, ideias desafiadoras que serviram de norte à CEMVDHC.

"A democracia não é uma dádiva. Ela resulta de uma construção coletiva que avança passo a passo, geração a geração. Às vezes, esses passos são rápidos e longos. Em outras vezes, curtos e lentos. Em alguns momentos apenas é possível ir à frente, pé ante pé, para que a marcha não pare, para que – mesmo sob o peso da
escuridão – continuemos a buscar a luz que nos orienta.
[...] O Brasil venceu a escuridão. Pernambuco venceu a escuridão. E hoje, nesta solenidade, damos um largo passo para consolidar a democracia no nosso Estado e no nosso País. Porque não basta avançar. É preciso ter rumo. Do contrário, ficaremos como o marinheiro que, tendo vento em suas velas, não sabe ajustar o leme para chegar mais cedo ao seu destino.
[...] O grande filósofo francês Voltaire dizia: ‘As verdades são frutos que apenas devem ser colhidos quando bem maduros’. Mas nós podemos afirmar aqui: já tarda a verdade a respeito da tenebrosa noite de escuridão que pesou sobre gerações de brasileiros e brasileiras. Mas ela irá nos iluminar. Não para avivar rancores, não para atiçar ódios, não para acrescentar ressentimentos. Mas para que todos nós tenhamos o entendimento dos fatos, tenhamos o conhecimento dos nomes e possamos refletir sobre as contingências de cada tempo"[2]
.
A Comissão desenvolveu essa tarefa com empenho e constância ao longo dos quatro anos e meio de sua existência. Conviveu com relatos de parentes e amigos das vítimas da repressão que nunca desistiram de lutar pela história de seus mortos e por seus entes desaparecidos. Esteve frente a frente com os sujeitos responsáveis e atuantes dos órgãos de repressão que, à época, investigaram, monitoraram, controlaram, torturaram e assassinaram muitos concidadãos, considerados seus inimigos. Assistiu horas de relatos frios, metodicamente articulados, de difícil compreensão a partir da lógica humana. Realizou pesquisas e deparou-se com imagens que chocam. Juntou e disponibilizou documentos que precisam ser conhecidos para reconstituição desses graves acontecimentos e "para que, enfim, o silêncio não continue a prevalecer, como se a Nação não
tivesse tido um passado de horror e que, para esquecê-lo, o melhor caminho seria nunca desvendá-lo", como referiu o então governador naquela ocasião.

[1] Lei nº 14.688, de1º de junho de 2012 instituiu a Comissão da Memória e da Verdade em Pernambuco, que foi
denominada Comissão Estadual da Memória e da Verdade Dom Helder Camara. Vide texto na íntegra: Disponível
em: http://www.acessoainformacao.gov.br/acessoainformacaogov/acesso-informacao-brasil/legislacao-integracompleta.asp.
Acesso em 19.02.2013.
[2] Parte do Discurso do Excelentíssimo Governador Senhor Eduardo Henrique Accioly Campos na solenidade de posse dos
nove membros da 1ª Comissão Estadual da Memória e da Verdade instituída por lei no país. In: Cadernos da Memória e
Verdade, vol. I, Recife-2013.

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A CEMVDHC utilizou para a sua pesquisa fontes documentais encontradas em diversos instituições, como o Arquivo Público Estadual Jordão Emerenciano de Pernambuco (APEJE/DOPS), Arquivo Público Estadual do Rio de Janeiro (APERJ/DOPS), Arquivo Público Estadual de São Paulo, Arquivo Nacional (AN-DF), Arquivo do Instituto de Medicina Legal (IML), Instituto de Criminalística de Pernambuco (IC), Arquivo do Superior Tribunal Militar e do Ministério das Relações Exteriores, entre outros.
Ressalta-se que os originais encontram-se sob custódia das referidas instituições.

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